sexta-feira, 30 de março de 2012

Tempos Modernos



 

Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome.
A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".


Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado, alimenta todo conforto e diversão para burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões.
Se inicialmente o lançamento do filme chegou a dar prejuízo, mais tarde tornou-se um clássico na história do cinema. Chegou a ser proibido na Alemanha de Hilter e na Itália de Mussolini por ser considerado "socialista". Aliás, nesse aspecto Chaplin foi boicotado também em seu próprio país na época do "macartismo".
Juntamente com O Garoto e O Grande Ditador, Tempos Modernos está entre os filmes mais conhecidos do ator e diretor Charles Chaplin, sendo considerado um marco na história do cinema.


CONTEXTO HISTÓRICO

Em apenas três anos após a crise de 1929, a produção industrial norte-americana reduziu-se pela metade. A falência atingiu cerca de 130 mil estabelecimentos e 10 mil bancos. As mercadorias que não tinham compradores eram literalmente destruídas, ao mesmo tempo em que milhões de pessoas passavam fome. Em 1933 o país contava com 17 milhões de desempregados. Diante de tal realidade o governo presidido por H. Hoover, a quem os trabalhadores apelidaram de "presidente da fome", procurou auxiliar as grandes empresas capitalistas, representadas por industriais e banqueiros, nada fazendo contudo, para reduzir o grau de miséria das camadas populares. A luta de classes se radicalizou, crescendo a consciência política e organização do operariado, onde o Partido Comunista, apesar de pequeno, conseguiu mobilizar importantes setores da classe trabalhadora.
Nos primeiros anos da década de 30, a crise se refletia por todo mundo capitalista, contribuindo para o fortalecimento do nazifascismo europeu. Nos Estados Unidos em 1932 era eleito pelo Partido Democrático o presidente Franklin Delano Roosevelt, um hábil e flexível político que anunciou um "novo curso" na administração do país, o chamado New Deal. A prioridade do plano era recuperar a economia abalada pela crise combatendo seu principal problema social: o desemprego. Nesse sentido o Congresso norte-americano aprovou resoluções para recuperação da indústria nacional e da economia rural.
Através de uma maior intervenção sobre a economia, já que a crise era do modelo econômico liberal, o governo procurou estabelecer certo controle sobre a produção, com mecanismos como os "códigos de concorrência honrada", que estabeleciam quantidade a ser produzida, preço dos produtos e salários. A intenção era também evitar a manutenção de grandes excedentes agrícolas e industriais. Para combater o desemprego, foi reduzida a semana de trabalho e realizadas inúmeras obras públicas, que absorviam a mão-de-obra ociosa, recuperando paulatinamente os níveis de produção e consumo anteriores à crise. O movimento operário crescia consideravelmente e em seis anos, de 1934 a 1940, estiveram em greve mais de oito milhões de trabalhadores. Pressionado pela mobilização operária, o Congresso aprovou uma lei que reconhecia o direito de associação dos trabalhadores e de celebração de contratos coletivos de trabalho com os empresários.
Apesar do empresariado não ter concordado com o elevado grau de interferência do Estado em seus negócios, não se pode negar que essas medidas do New Deal de Roosevelt visavam salvar o próprio sistema capitalista, o que acabou possibilitando possibilitou sua reeleição em duas ocasiões.

Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=181

África - Um Continente Esquecido



Essa semana pela disciplina de África II do curso de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB),  da qual o professor docente é Ruddy Aquino, tive a oportunidade de apresentar um seminário sobre alguns países da África e também de observar as apresentações dos meus colegas sobre importantes países desse continente tão rico e tão pobre. Porque ao olhar para esse continente, de forma geral, só associamos a pobreza, selvageria, doença e escravos? Porque olhamos para o povo desse continente como se eles fossem inferiores? Porque esse continente pode ser tão rico e tão pobre?
São análises que precisam ser feitas porque nós brasileiros, devido ao processo de colonização portuguesa,  temos uma herança enorme dos povos africanos que foram escravizados e trouxeram não apenas a sua força de trabalho forçado e compulsório, como  também a sua cultura e os seus hábitos, emfim, essa herança está na pele, quem tiver olhos que veja. Por tudo isso que é difícil para mim, entender porque esse continente passa por tantas dificuldades, sendo o terceiro continente mais extenso do mundo (atrás da Ásia e da América) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3 % da área total da terra firme do planeta. Sendo o segundo  mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de um bilião de pessoas (estimativa para 2005 ), representando cerca de um sétimo da população do mundo, e 54 países independentes; apesar de existirem colônias pertencentes a países de outros continentes, tais como as Ilhas Canárias e os enclaves de Ceuta e Melilla, que pertencem à Espanha, o território ultramarino das ilhas de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha, que pertence ao Reino Unido, e as ilhas de Reunião e Mayotte, que pertencem à França. Será que os países principalmente da Europa, só queriam e ainda só querem apenas explorar e sugar os recursos, principalmente minerais desse continente e toda essa pobreza e dificuldades vividas hoje são o resultado das grandes modificações introduzidas pelos colonizadores europeus?
São questões que exigem muita reflexão por parte de todos e que por conta disso, possamos entender a importância desse continente e o quanto nós e principalmente eles, tem sido tão injustos com o a África e conosco mesmos. Antes de falar desse continente ou de julgar, primeiro procure conhecer a sua extensa história de milhares de anos, os seus povos e os seus costumes.

Apenas para reforçar, alguns dados sobre a África: 

Apresenta grande diversidade étnica, cultural, social e política. Nesse continente são visíveis as condições de pobreza, sendo o continente africano o mais pobre de todos; dos trinta países mais pobres do mundo (com mais problemas de subnutrição, analfabetismo, baixa expectativa de vida, etc.), pelo menos 21 são africanos. Apesar disso existem alguns poucos países com um padrão de vida razoável, ainda assim não existe nenhum país realmente desenvolvido na África. O subdesenvolvimento, os conflitos entre povos e as enormes desigualdades sociais internas, são o resultado das grandes modificações introduzidas pelos colonizadores europeus. Atualmente os países africanos mais desenvolvidos são Líbia, Maurícia e Seicheles, com qualidades de vida superiores a de muitos países da Europa. Ainda há outros países africanos com qualidades de vida e indíces de desenvolvimento razoáveis, podendo destacar a maior economia africana, a África do Sul e outros países como Marrocos, Argélia, Tunísia, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. 


A África costuma ser regionalizada de duas formas, a primeira forma, que valoriza a localização dos países e os dividem em cinco grupos, que são a África setentrional ou do Norte, a África Ocidental, a África central, a África Oriental e a África meridional. A segunda regionalização desse continente, que vem sendo muito utilizada, usa critérios étnicos e culturais (religião e etnias predominantes em cada região), é dividida em dois grandes grupos, a África Branca ou setentrional formado pelos oito países da África do norte, mais a Mauritânia e o Saara Ocidental, e a África Negra ou subsaariana formada pelos outros 44 países do continente.
Cinco dos países de África foram colónias portuguesas e usam o português como língua oficial: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe são ainda falados crioulos de base portuguesa.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Africa


terça-feira, 20 de março de 2012

O Evolucionismo Cultural no Filme A Massai Branca


         
 Evolucionismo Cultural como diz o próprio nome, é um termo ligado a evolução do homem, de uma espécie ou uma cultura, porém em termos teóricos de evolucionismo cultural, não existe um conceito formado ou uma unicidade de pensamento do termo. Para Wirnick “Evolucionismo é a teoria segundo a qual toda vida e o universo se desenvolveram graças ao crescimento e as mudanças”, Leslie diz que “É um processo temporal-formal, continuo e geralmente acumulativo e progressivo, por meio do qual os fenômenos culturais sistematicamente organizados sofrem mudanças, uma forma ou estagio sucedendo ao outro”, enfim, existem muitas dificuldades para definir e evolução cultural, os próprios teóricos diferem em sua linha de pesquisa.
          Ainda na linha de Evolucionismo cultural, assistimos ao filme “A Massai Branca” como laboratório para entendermos melhor o evolucionismo e discutirmos sobre o choque das culturas. Segue um resumo “critico” sobre o filme:
Um filme de fato intrigante que nos leva a pensar em muitas questões – que não fica claro durante o filme -, dentre elas destacamos as seguintes: O que fez com quê uma mulher branca, européia e “civilizada” se apaixonasse por um africano de uma “tribo” Massai? Por que essa mesma mulher acostumada à ambientes “civilizados” deixou tudo para trás e foi morar no meio do nada, sem as mínimas condições de higiene e saúde? Como já havíamos citado antes, o filme não deixa claro.


            O que conseguimos perceber é uma visão eurocêntrica desde as primeiras cenas do filme até o seu final. Começa mostrando as locações nas cidades africanas e passa uma imagem de que não existe ordem, um caos total e as únicas coisas boas que tem lá são as belezas naturais (pouquíssimas, diga-se de passagem), os refrigerantes que são do “primeiro mundo” e os “selvagens”. Depois o amor inesperado de uma européia por um guerreiro Massai – que logo depois é visto apenas como alguém que se apresenta para turistas e é pastor de cabras – que viaja por doze horas em condições nada elegantes para encontrar o grande amor de sua vida. A primeira cena de “amor” é colocada para nós de uma forma que podemos concluir que um ser animalesco arrebenta com os sonhos de uma mulher em menos de dois minutos apenas para satisfazer suas grotescas necessidades sexuais.
            Outro ponto interessante é a falta de respeito com que a civilização Massai é tratada. Não há um respeito por parte da mulher que abandonou o seu “mundo civilizado” para viver em uma “tribo”. Ela não era conhecedora dos costumes, da cultura dessa civilização e com a mesma mentalidade dos colonizadores de outrora tentou inserir conceitos pré-estabelecidos. O seu “casamento”, uma celebração religiosa ao estilo Massai e ela aparece com um vestido de noiva, branquinho! Logo depois introduz um veículo (apesar de ter os seus benefícios como no caso da mulher que estava prestes a parir e que não sobreviveu) e em seguida um “mercado”, algo inimaginável para uma mulher da cultura Massai... Mais um choque cultural. Sem descrever a cenas em que ela conversava com outros homens olhando nos olhos, na nossa cultura é normal, mas entre os Massai é inadmissível! Não vou falar a respeito da “castração” das meninas que despontavam para a puberdade, pois, isso não se restringe ao aspecto cultural.


            Por fim, ao abandonar o seu “grande amor” uma revelação sobre o nome da filha, a assinatura do pai não constava da certidão de nascimento e do passaporte. Um rompimento dos laços afetivos – se é que existiram – de uma vez por todas. Fica a imagem de um filme extremamente preconceituoso que não define realmente o que é a cultura Massai, mostrando a imagem do europeu refinado, singelo e frágil diante de seres grotescos que não tem uma língua (o filme não traduz os diálogos entre os Massai), que só emitem sons “guturais”. 
         Para concluir nosso comentário, devemos repensar sobre o que entendemos de um povo culto e civilizado. Por que apenas aquela mulher branca e européia é considerada culta, ou sabia? E a cultura e os conhecimentos daquele povo, daquela tribo que vive sem nenhum acesso a tecnologia e mesmo assim a mãe de Lemalian apenas ao tocar em Carola sabe que ela está grávida? Não é possível dizer que são ignorantes, ignorantes e preconceituosos são aqueles que não reconhecem e não respeitam a uma cultura diferente da sua.



Texto Produzido por Kleyton Andrade e Miguel Francisco de Goês Jr.



O Incrível Exercito de BrancaLeone



O filme O Incrível Exercito de Brancaleone, titulo original (L`Armatta Brancaleone) foi lançado no ano de 1966 e dirigido pelo autor Mario Monicelli e distribuída pela Titanus Film, à obra pertence ao gênero da comédia. O filme conta a historia de um cavaleiro pobre e atrapalhado que recebe uma proposta de um grupo de miseráveis que haviam roubado de outro cavaleiro, que ficara ferido numa batalha, um pergaminho cujo proprietário seria enfeudado com uma terra em Aurocastro, estes maltrapilhos formam o exercito de Brancaleone e enfrentaram com ele varias aventuras hilárias passando pelos perigos da Europa medieval do século XI, como a peste negra, bruxas e os Sarracenos. Para a nossa análise iremos trabalhar com o ideal cavaleiresco na Europa dos séculos X e XI, analisando a imagem do cavaleiro tratada no filme em comparação com a bibliografia especifica e aulas expositivas sobre o tema.


O mundo no século X (e, já antes o da segunda metade do século IX) é duro e perigoso; sobreviver constitui, por si só, uma preocupação constante e um desejo obsessivo” (CARDINI, 1990. p.57). 
Esse período na Europa como cita o autor, é permeado de inseguranças tempo em que se proliferam por toda a Europa os castelos que servem de fortalezas contra as barbáries tão freqüentes, ainda dentro deste contexto a sociedade se divide em três ordens: os oratores,os bellatores e os laboratores, e nessa divisão tanto os oratores quanto os laboratores dependem da proteção dos bellatores, a figura do cavaleiro aos poucos vai transformando-se juntamente com o significado da sua determinação:  
“a equivalência (entre miles e caballarius) exprime com muita clareza que o único guerreiro digno desse nome era, aos olhos dos homens desse tempo, aquele que utilizava um cavalo. Por conseguinte, o sucesso da palavra miles deve ser relacionado com a evolução das instituições propriamente militares...”(DUBY,1989, p.28).  
Concomitantemente, a população vai se desmilitarizando, sem ter condições de possuir equipamentos bélicos, ou mesmo, um cavalo ficando o acesso a cavalaria restrito aos grupos de elite normalmente companhias de soldados a serviço de um senior, estes aspectos juntamente com a diferenciação jurídica com a concessão de privilégios como a isenção das requisições dos senhores banais serviram para diferenciar e distanciar ainda mais o grupo dos milites.  


            Os reencontros entre grandes detentores de domínios feudais, cada um deles dotado de escoltas armadas, torna-se o elemento da vida dos séculos X e XI, ou seja, do período correspondente à pulverização dos poderes públicos e a chamada << anarquia feudal>>” (CARDINI, 1990, p. 58). 
Neste momento os soldados espalham o terror da violência entre os indefesos da sociedade, até mesmo clérigos foram vitimas dos excessos desses soldados, este estado de violência externa e interna levou a Igreja a procurar meios para o controle das guerras e da violência por meio dos movimentos da pax e trégua Dei produzidos através de vários concílios, a partir de então a ética cavaleiresca se reveste de outras características:
 se grupos de milites obedeciam já a uma ética fundada na coragem, na fidelidade ao seu chefe e na amizade pelos companheiros de armas, a ética mais propriamente <<cavaleiresca>> nasce, porém, dos cânones eclesiásticos dos concílios de paz e baseia-se no serviço devido à igreja e a defesa dos pauperes – dos mais fracos – levada até ao sacrifício da própria vida” (CARDINI, 1990, p. 59). 
Agora em defesa dos desarmados da sociedade, com isso a Igreja inicia um processo de sacralização da atividade militar, as armas passaram a ser benzidas a partir deste momento ainda se admite na espiritualidade cristã também a gloria militar, um paradoxo do ponto de vista ideológico da Igreja que primava pela paz. O sistema ético cavaleiresco se afirma sobre duas bases principais que são a coragem (prouesse) e a sagacidade (sagesse), ambas características indeléveis aos cavaleiros e juntas estas duas qualidades produziriam o equilíbrio (mesure).  
           O diretor Mario Monicelli trata de forma satírica a ética cavaleiresca. A primeira cena em que o cavaleiro Brancaleone aparece no filme, ele prepara-se para uma disputa entre cavaleiros. O vencedor teria a mão da nobre donzela. O fato de os cavaleiros participarem desses eventos denota um ato de coragem, pois, depois das medidas tomadas pelo clero em comum acordo com os reis, em limitar os períodos de guerras, esse era o meio de não deixar os cavaleiros inativos. Em um outro momento do filme Brancaleone arquiteta um plano para deter o avanço de um exército que saqueava uma localidade que supostamente ele e seus companheiros de jornada “herdariam”. Esse exército infinitamente superior em número de homens do que os seus seguidores maltrapilhos. A cena mostra uma certa inteligência, poderíamos apontar a sagacidade do cavaleiro, embora no filme não tenha atingido o fim planejado pelo cavaleiro. Nos momentos finais do filme onde o cavaleiro está prestes a ser queimado juntamente com seus companheiros, o momento de reconhecer a derrota, as falhas, e o ato de orar e pedir perdão pelas faltas a Deus nos remete ao equilíbrio (mesure), a verdadeira virtude do cavaleiro. A palavra dada por um cavaleiro tinha grande valia. Nota-se que ao aceitar o empreendimento de acompanhar a virgem Matelda e guardá-la na sua pureza, até que seja entregue ao seu futuro esposo é muito bem tratado na obra italiana, embora tenha pecado pela displicência e um dos seus acompanhantes não resistiu aos encantos da bela mulher. 


           Traçando uma comparação entre o objeto que é o filme de Brancaleone e a bibliografia específica sobre o tema nobreza e cavalaria encontramos a primeira contradição nas próprias características do cavaleiro Brancaleone, um cavaleiro errante atrapalhado, mulherengo, com trajes e costumes alternativos que tenta usar o seu título para aproveitar a vida, algo que se difere dos cavaleiros dos séculos VII ao XI que tinham superioridade nos combates, era nobre o uso do seu cavalo, era definido por um sistema de valores e representações e que tinham um título de linhagem com diz Duby

Nos últimos anos do século XI, o qualificativo cavalheiresco perece [...] definir menos a situação de um individuo do que a de todo um grupo familiar - o que implica que a distinção social manifestada por esse título é considerada desde então com o bem de uma linhagem, em que ela se transmite de geração a geração os escribas, a partir deste momento, preocupam-se em opor um ao outro, entre os leigos, dois grupos, o dos cavaleiros, dos milites e dos camponeses, dos rustici. (DUBY, 1989, p. 24-25). 
          Outra contradição, um cavaleiro é sempre virtuoso e não pode deixar-se ser enganado tão facilmente e uma sátira também a postura da mulher na Idade Média, mas esse não é o objeto de nosso estudo. Encontramos vários pontos de confluência na obra de Monicelli com os textos e autores por nós estudados. Um dos exemplos é o fato de o cavaleiro Brancaleone ser totalmente um “sem posses”, possuía apenas o seu cavalo que já era um meio de grande dispêndio, sua vestimenta, espada, escudo e lança. No período medievo esses bens era um dos meios de distinguir as classes, apesar de não ter mais nenhum tipo de posse, o nosso cavaleiro ainda possuía o nome e naquela sociedade isso era de grande valia. Apesar de tais contradições e também de se tratar de uma sátira, não podemos negar que Brancaleone tem os seus valores, mesmo bem atrapalhado é um guerreiro valente que enfrenta com bravura os seus adversários e tem lealdade ao seu exercito, é obediente e fiel a palavra dada. 

 

        O Incrível exército de Brancaleone ainda é uma das mais honestas apresentações sobre a época medieval, mesmo se tratando de uma comédia, pois Brancaleone se depara com a peste negra, bárbaros, piratas, leprosos, vigaristas e outros seres que povoam a Europa medieval, além do encontro com o monge Zenone que acaba recrutando Brancaleone e seu exército para lutar na guerra santa. Uma bela representação da trilogia que marcou a crise do século “guerra, peste e fome. Encontramos vários pontos de confluência na obra de Monicelli com os textos e autores por nós estudados. Um dos exemplos é o fato de o cavaleiro Brancaleone ser totalmente um “sem posses”, possuía apenas o seu cavalo que já era um meio de grande dispêndio, sua vestimenta, espada, escudo e lança. No período medievo esses bens era um dos meios de distinguir as classes, apesar de não ter mais nenhum tipo de posse, o nosso cavaleiro ainda possuía o nome e naquela sociedade isso era de grande valia.  


Referências Bibliográficas:
CARDINI Franco. O guerreiro e o cavaleiro. In: LE GOFF. O homem medieval. Lisboa: Presença, 1990.
DUBY. A Sociedade Cavaleiresca. São Paulo, Martins Fontes, 1989.
LE GOFF, J e SCHIMITT, J-C. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. Bauru;São Paulo: Edusc/Imprensa Oficial do Estado, 2002

Texto Produzido por: Júlio Santos Silva, Kleyton Andrade e Miguel Francisco de Goês Jr. Alunos do Curso de Licenciatura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia em Vitória da Conquista - Ba.


quarta-feira, 7 de março de 2012

O ABSOLUTISMO – A ASCENÇÃO DE LUÍS XIV


 
O ABSOLUTISMO – A ASCENÇÃO DE LUÍS XIV


O filme “O absolutismo – A Ascensão de Luís XIV” de titulo oficial (La prise de pouvoir par Louis XIV), foi lançado no ano de 1966 na França e dirigido pelo cineasta italiano Roberto Rossellini que foi um dos mais importantes cineastas do neo-realismo. O filme é sobre os primeiros anos do reinado de Luís XIV e como ele se tornou o maior monarca absolutista da França.
Depois da morte do cardeal Mazarino que controlava os assuntos do estado enquanto o Rei Luís XIV não precisava se preocupar, ele resolveu que iria assumir sozinho o seu reinado, inclusive dispensando o parlamento e sem nomear um primeiro-ministro como era de costume naquela época. Tomando o controle do seu reinado, não aceita a participação no conselho de sua própria mãe e seu irmão para não ter ninguém que lhe desafiasse em suas decisões. Decide Mandar prender o Sr. Fouquet que era superintendente de finanças do reino e usava da sua função para privilégios financeiros e toma atitudes para não ser traído pelos seus súditos pensando no pão e o trabalho para não ter miséria e a rebeldia da população, além de aliviar os impostos. Enquanto o reinado aplica o seu plano político com o objetivo de trazer a nobreza para perto. Resolve sair do Louvre e aumenta e melhora o palácio de Versalhes que tinha capacidade para 15 mil pessoas e a partir daí envolve a nobreza no seu cerimonial de corte, que possibilitou a centralidade do seu poder na soberania pessoal e política.
Analisando como o diretor Rossellini constrói a imagem de Luís XIV ao longo do filme, percebe-se que no inicio, na primeira cena que se refere ao rei, quando ele acorda e tem a presença dos seus súditos, mostra-se um rei sem comprometimento, fazendo uma oração preguiçosa, sem completar as palavras. Depois de encontrar com Mazarino já prestes a morrer, Luís XIV começa a tomar atitudes nobres ao recusar a fortuna que Mazarino lhe ofereceu, dizendo: “Não é o seu afilhado que recusa, é o Rei”, demonstrando a consciência dos dois corpos do rei, o corpo natural e o corpo político, como cita Kandorowicz:
 
[…] pelo Direito Comum nenhuma lei que o Rei decrete enquanto Rei será invalidada por sua menoridade. Pois o Rei tem em si dois corpos, a saber, um Corpo natural e um Corpo político. Seu Corpo natural (se considerado em si mesmo) é um corpo mortal, sujeito a todas as Enfermidades que ocorrem por Natureza ou Acidente, à Imbecilidade da Infância ou da Velhice e a Defeitos similares que ocorrem aos Corpos naturais das outras Pessoas. Mas seu Corpo político é um Corpo que não pode ser visto nem tocado, composto de Política e Governo, e constituído para a condução do Povo e a Administração do bem-estar público, e esse Corpo é extremamente vazio de Infância e Velhice e de outros defeitos e Imbecilidades naturais, a que o Corpo natural está sujeito, e, devido a esta Causa, o que o Rei faz em seu Corpo político não pode ser invalidado ou frustrado por qualquer Incapacidade em seu Corpo natural. (KANTOROWICZ).

Depois da conversa com Mazarino, o autor mostra uma personalidade que foi uma das características principais para a ascensão do principal Rei absolutista. Mesmo com a desconfiança da mãe e dos seus súditos que diziam que Luís XIV gostava apenas de diversões e farras e que logo iria se cansar de governar o seu reino, o Rei decide governar sozinho e toma atitudes importantes para a centralidade do seu poder, governando a França entre 1643 a 1715, promovendo mudanças na economia, na política, no exército e nos costumes franceses.


O que se percebe no filme é que tanto o Cardeal Mazarino, quanto o superintendente de finanças do reino, o Sr. Fouquet, aproveitam as suas funções administrativas para se favorecerem financeiramente. O cardeal Mazarino se aproveitou do seu cargo e se tornou o homem mais rico da Europa em meados do século XVII através das abadias que eram da Igreja, mesmo assim o cardeal as usava para possuir riquezas. Já o Sr. Fouquet utilizava-se do seu cargo de superintendente de finanças para desviar recursos para si, enquanto o reino estava sem esses próprios recursos, inclusive, Fouquet admirado com a beleza e a graça da jovem Luise, lhe oferece vinte mil moedas como presente e ela recusa, expondo a situação ao Rei Luís XIV que diante disso manda prendê-lo  no seu próprio território para que seja desmoralizado e para que todos vejam o poder do rei. 
Os antagonismos identificados no filme em relação às classes sociais, se tratando das classes menos favorecidas, percebe-se que no inicio do filme na fala dos primeiros personagens, eles reclamam que quando estão doentes, não tem um atendimento eficaz como no caso do cardeal Mazarino que recebeu a atenção de vários médicos. Em um momento do filme, vemos a presença de um manequim que se sujeita a ser vestido da maneira como o Rei e os alfaiates bem entenderem e ainda tem cortado o seu cabelo, sem que ele pudesse reclamar. Se tratando da burguesia, o rei precisava de dinheiro e naquele momento a burguesia tinha o dinheiro e alimentava o reino, o Rei deveria dar privilégios à burguesia, sem dar muita liberdade para que essa própria burguesia se voltasse contra o reino e o reino também não podia deixar a nobreza nas mãos da burguesia.   

 Luís XIV - Rei Absolutista
Luís XIV certamente foi um dos maiores exemplos de Rei absolutista existente, pelo poder que exerceu e por toda a organização política e social que foi construída em torno de si. Temendo que o reino se virasse novamente contra o Rei, Luís XIV decide trazer os nobres para corte com os melhoramentos no palácio de Versales que tinha capacidade para quinze mil pessoas permanentes e em época de festa suportava até trinta e duas mil pessoas. Entendendo que os nobres também estavam nas mãos da burguesia, o seu plano político era que a nobreza fosse para perto do Rei e que nele esperassem. Desde então, ele decidiu comprar todas as dívidas dos nobres, e por isso, as propriedades dos mesmos passariam a ser propriedades do estado, que os nobres não poderiam vender justamente porque eles deviam ao rei. Com os eventos cotidianos para o envolvimento dos nobres no palácio, como jogos, apresentações de teatro e outros eventos, se caracterizou o poder na figura do rei que se tratando de Luís XIV, a centralidade política foi o modelo mais perfeito no século XVII. Sem contar do papel das vestimentas, que como ele mesmo disse quando estava confeccionando, que ela seria de uso político e que a nobreza devia seguir o Rei em suas vestes de custo elevado e bem aprimoradas e isso geraria custos altos que a nobreza não tinha como pagar e ficariam mais uma vez, nas mãos do rei como ele próprio queria. Todos esses fatores possibilitaram a centralidade do poder real na França.
Analisando o cerimonial de corte estabelecido pelo Rei Luís XIV, identificamos o seu importante papel na elevação e na manutenção do seu poder sobre o seu reino. Ele estabelece no reino o cerimonial de corte e a etiqueta régia que foram características fortes do seu reinado na França.  Podemos perceber isso em vários momentos do filme, como por exemplo, quando ele acorda na primeira cena que apresenta o Rei, rodeado pela nobreza e por sua camareira onde ele faz uma oração, lava as mãos com álcool de vinho e é vestido pelo irmão e mais tarde em um jantar, ele convida um dos nobres de seu reino para ir alimentar os cães e para acompanhá-lo na caça no dia seguinte e como foi citado em sala de aula, nesses jantares o Rei tinha o costume de entregar uma tocha acessa a um dos nobres da realeza e esse ficaria com a honra de acordar o rei no dia seguinte e vesti-lo com uma roupa que ele mesmo escolheria. Enfim, através desse cerimonial de corte, o rei promovia os desequilíbrios sociais, promovendo alguns indivíduos para que esses achassem que eram agraciados pelo Rei, despertando o ciúme na nobreza e o desequilíbrio momentâneo que se estabelece como a etiqueta régia e o próprio cerimonial de corte. Nas refeições podemos perceber também a etiqueta régia, pois o Rei não tinha o costume de comer com talheres e comia com as mãos, mesmo assim, comia civilizadamente em porções pequenas, porque ele era o Rei e os seus atos eram seguidos pela nobreza, sem esquecer que essa etiqueta régia era estabelecida pelo próprio Rei e por isso ele deveria seguir, mesmo sem se agradar das mesmas.  


Percebe-se que na figura do Rei Luís XIV se representou o verdadeiro espírito do absolutismo, exercendo de maneira centralizada suas prerrogativas reais e atribuindo a uma frase que ele mesmo criou “o Estado sou eu”. Segundo Strayer, a justificativa do surgimento do estado e o estabelecimento do poder se da porque o homem é naturalmente mau, o que justifica a existência do poder para controlar os homens através do Rei. Por isso a necessidade de uma autoridade suprema pelas leis e pela espada. Luís XIV conseguiu com as suas leis e o seu plano político de centralidade do poder em si mesmo, através do cerimonial de corte e outras atitudes, estabelecer a existência do seu poder e da sua autoridade suprema.